quinta-feira, 28 de maio de 2009

Telepatia

Eu te devoro
E por telepatia te namoro
Degusto sem tua boca a tocar
Invado sua privacidade apenas com o olhar
Meu sorriso maroto
Meu jeito garoto
De brincar como que é sério
Fantasiar o seu mistério
Solto um beijo no vento...
Sorrio...
Pois ele chega a ti por pensamento

terça-feira, 19 de maio de 2009

ImPar


Um só
Um par
Vira dois
Em um só
Completa
O imperfeito só
Que
Se um par
É perfeito
É o bem
É o mal
É bem mal
Mal bem
Meu bem
O mundo
Não está só
Você
Não
Está só
Só longe
A tampa da panela
Se esconde
O sol
No horizonte
Que não é só
Tem o mar
Ou a terra
Depende
De quem enxerga
Com o olho
Ou olhos
Um par
Em um só
Se completa
Se liberta
Da solidão
Que não existe não
É doença
De cabeça
Ou coração
Que não é só
Tem alguém
Dentro ou fora
Um par
Que se junta
E se forma agora

sábado, 16 de maio de 2009

O Circo


Depressivo cotidiano
Frustração quanto a mudança
Descontentamento com a vida de circo.
Nas horas pensativas solitárias sinto-me na corda bamba.
Ao fechar os olhos para atravessa-la sinto que vou cair...
Na ilusão...
Na mágica cartola de onde sai um coelho albino, de olhos vermelhos, manso, passivo;
De encher rostos apreensivos de sorrisos e de mágica.
Vida mágica, sem questionamento, sem saber.
Apenas viver e ser feliz como tem que ser.
Esquecer o mundo lá fora.
É tudo belo e perfeito...até querer abrir os olhos e sinto que vou cair na realidade...
Na jaula do gorila, forte e arisco.
O respeitável público mostra-se apreensivo e amedrontado com o que seus olhos presenciam.
Tensão!
Se ficar o bicho come, se ficar o bicho pega.
Quem é a caça?Eu sou a presa!?
Por quê seria eu engolido?
A lágrima de tristeza rola febrilmente no meu rosto pálido.
Pensando qual o motivo de ser atacado, resolvo ser solidário e dou uma banana
Só não sabia que a fome era outra, e fui engolido ferozmente.
(Sobreviveria na selva, mas na jaula não)
Logo acordei do cotidiano depressivo, mas era tudo real.
Vi todos chorando, porém logo esqueceram
Chegou o palhaço e todo mundo riu.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Veneno de Rosa

Um vício, uma droga
Veneno de rosa
Em meu ser se enrosca
Me sangra e destroça
Me deixa na fossa
Mas a sinto cheirosa
Vêm, glamurosa
A quero em mim, sinuosa
Nas suas pétalas de rosa
Nos seus espinhos de rosa
Me prende, me joga
No vento que sopra
Dependente se dopa
No vício da droga da rosa.


sábado, 2 de maio de 2009

DiFere

O pingo de sangue
No branco lençol
Gandhi e sua gangue
A Lua, o Sol
O curinga da carta
Que é embaralhada
Não é copas nem ouros
Nem paus nem espada
É a chama no escuro
É a diferença
O destaque no puro
Sem perder a essência
Mistura do neutro
Com um diferencial
Gritante escândalo
Sensível vândalo
Um sorriso na multidão tensa
A água densa
A pipa pensa
A diferença
O pisante branco na lama
A virgem nua
Na tua cama
O contraste que chama
Agente pra trama
O choque o foco
Ao redor nada resta
O ponto sem nó
Povo pobre em festa
O contrário
O avesso
Sem cor nem padrão
Batida de frente
Na contramão.