quinta-feira, 19 de abril de 2012

Perdido


Ontem eu perdi minha carteira
E perdi com ela o dinheiro do aluguel
Perdi a calma, perdi a paciência com a patroa culpando-me
Perdi o tesão, perdi a fome
Perdi o sono
Perdi o busão e saí atrasado
Perdi o vazio e fui no lotado
Perdi o bilhete, paguei com uns trocado
Perdi o café no trampo
Perdi o crachá, ouvi um bucado
Já tava atrasado...perdi meu trabalho...
Perdi meu salário, perdi meu sustento
Perdido vaguei contra o vento
Perdi meu barraco, perdi minha mulher
Perdi o respeito e os camaradas
Perdi a esperança e a confiança
Perdi minha infância, lá atrás
Já nasci perdendo, já perdi demais
Perdi o brilho no olhar
Perdi a cabeça
Já perdi tanto que nada tenho a perder
Perdi o medo do escuro, do mal
Perdi o medo de roubar e matar
Perdi as estribeiras
Perdi a noção e em plena luz do dia
Alguém mais vai perder
Já Perdi demais sozinho
Perdi a bondade no coração
Perdi a carteira, o busão, o horário, o trabalho, a infância, porra!
Só na perdi a pontaria, ta ligado?!
Perdi o controle
-perdeu playboy...-plau!
Fui dar um perdido
Perdi o pique
Perdi o caminho
Perdi na troca com os tiras
Perdi a dignidade, perdi sangue
Perdi o horário, o busão, o salário, o barraco
Perdi a bondade, o sono, o trabalho e antes de tudo isso
Perdi a carteira
Perdi a esperança
Perdi o medo de atirar
O medo de perder tudo
Perdi muito, mais muito sangue
Perdi a vida
Perdi tudo
Perdi

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Que te quero









Se confundo o abraço

Laço

No flerte do cheiro

Amaço

Quase almoço com olhos

Esse teu pedaço

E que pedaço

Que desanda minhas maos

e ciranda

Agora em vaoo

Querendo estar no vao

De seios de sobra

Que na boca não cabe

Assim como a fala

Que se cala

E invade

Tua intimidade

mas poxa

Como não me entregar

As tuas coxas

Não sabe da falta

Que me faz a farta

Da anca que me infarta

De acelerado ritmo

Do bate com gosto

No bum bum gostoso

A instigar o gozo

O nosso alvoroço

Proibido e calado

Só gemido e o molhado

Escoando entre as pernas

Se és primavera

Beija flor é fera

Que suga o nectar

O polen pro mel

A flor sai da terra

Voa livre no ceu

Fala mansa sem voz

Algo sobre nós

E nós

A querer lençóis

De pé e suado

Com o corpo dopado

De sexo bom

De bom é tarado

Danado de bom

nao tem como

Te como

gostoso

temos algo a nos dar

e se te confundir

No abraço outra vez

Não menti

Em falar

Que te quero

Nem que por mais uma vez.

Subliminá

Pode tirar o seu colete

à prova de bala

A bala que atiro

é doce pra mulecada

Sente a rajada da “matraca”

Que dispara a fala

Tem sempre um fifi

Que faz da língua uma arma

Moleque é “crack”

No campo é piripac

Dá trabalho pra zaga

É o melhor no ataque

Sangue no zóio pra

Matar o chefão...no fliperama

Bomba...de chocolate

Faz sorrir quem te ama

Você tá com as “12” em cima

Tio, depois não reclama

Pedofilia é crime

São doses de “cana”

Novinha assanhadinha

Disse que te dá “mole”

Mas maria mole te confunde

Num doce gole

Daqui pra lá

Só os função

Tão preparado

“Fuzil” na mão

O livro é bom de mira

Atira poemas no coração

Acho que o bang do inverno

É se envolver nas quadrilha

Calma ae, calma ae...

Quadrilha de festa junina

“Crack... se for na bola

Coca... se for gelada

Bomba...de chocolate

É bum pra mulecada

Paranga... de cocada

Presentes no embrulho

Boca... não é de fumo

É MC no bagulho”

Me passa a “seda” muleque

Pra encapar o meu pipa

Me traz o pó... de vidro

Pra passar na minha linha

A cola não se bafora

Mistura e faz cortante

Duas carreira... de linha

Fortalece o estirante

Quero “farinha” da boa

Pro bolo ou tapioca

Pode dar milho

Pra nóis estourar os pipoca

Eu vi o “vapor” subir

Da panela de barro

Acho melhor cê ir tomando cu...

Cuidado

Vários pinos pra mandar

Numa tacada só

Sem dó, no boliche

Só quem for o melhor

Que que há? que que há?

Qual que foi? qual que foi?

Rabo de vaca mata mosca

E dá nome aos boi

De fofoca em fofoca

A galinha enche o papo

As tias ouvem roupa nova

Vestindo os trapos

Não parece o que é

Mas é que não sei mentir

Quero chorar...de alegria

E depois morrer...de rir

“Crack... se for na bola

Coca... se for gelada

Bomba...de chocolate

É bum pra mulecada

Paranga... de cocada

Presentes no embrulho

Boca... não é de fumo

É MC no bagulho”

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Mentira

(foto: Fabio Boca)

Mentira é um instante
Um pequeno elefante
Incomoda o semblante
Princípio de uma avalanche


Não se breca nem dobra
E de trás pra frente a obra
Cem kilômetro por hora
Rápida e sem manobra


Descontrolada vai
Por ruas e quintais
A mancha não sai
Da mesma quando cai


Quem falou, quem ouviu
Telefone sem fio
Era um dia de frio
Disparou o fuzil


Boca é arma letal
Tanto pro bem quanto mal
Com a consciência legal
Verdade até o final


O princípio da ira
Invisível ainda
A lorota é o que vira
Isso sim que é mentira

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Orações



Se a minha igreja é profana
por fazer orações em buteco,
Reze por mim,
Enquanto luto e oro por nós!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Gangorra

(foto: Fabio Boca)

Dois desequilibrados

Um sobe, o outro desce

O desencontro

Na opnião, no gosto, no rosto

A diferença é nítida

Você é bonita

E eu feio pa porra

Amor de gangorra

Totalmente desnivelado

Onde isso vai parar?

Como vai ficar o puxado?

E na cama

Você vira de lado

Penso : não é pra dormir!

-Tô com sono porra!!!!

Amor de gangorra

Sem equilíbrio algum

Ainda bem!

Sem os altos e baixos

Sem o sobe e desce

A brincadeira na gangorra

Não acontece.

segunda-feira, 29 de março de 2010



Quebra
Fura
Cava
Extrai
Leva
Lava
Prepara
Monta
Apronta
Embrulha
Vende
Transporta
Estoque
Vitrine
Seduz
Luz
TV
Empurra
Rosto
Obriga
Compra
Usa
Se
Acha
Se
Incha
Enche
Enjoa
Ah..
Toa
Joga
Fora
Acumula
Extorva
Sem
Volta
Compra
Outra
Pra Quê?
Pra Quê?
Pra Quê?

domingo, 14 de março de 2010

Pode ser um Bar


Um bar pode
Destruir uma vida
Gerar crise em família
Ser mal falado pelas fofoqueiras
Repercursão em jornais
Ter vítimas fatais
Deixar homens como animais
Jogados, descontrolados
Um bar pode ser
Tema de um livro
A desculpa no caminho
A única distração
Do homem e do menino

Um bar pode ser
E construir uma vida
Estruturar uma família
Ser bem falado entre as fofoqueiras
Repercursão em jornais
Autores racionais
Deixar homens como animais
Vorazes, capazes
Um bar pode ser
História e livro
Um grande motivo
Alternativa cultural
Do homem e do menino
Ao bar do Zé Batidão...
Foi o que ví e sentí a primeira vez que pisei em solo sagrado!
Obrigado Cooperifa!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sangria


Do poeta tire o prazer
Da dor que sente ao escrever.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Labirinto


Meu labirinto
Meu começo
Meu avesso
Tudo dá em você
Todos os caminhos
Perco-me
Em meu querer
Cobro
O meu saber
Que não sabe
Onde é a saída
Que quando próxima
Engana-me
E faz-me voltar
Em um ponto perdido
Em meio a paredes
Caminhos sem destino
Siga o instinto
Mas não saia
Desse labirinto.

Retaliação passageirO


Eu vou olhar bem pra cara de vocês!!!
Que é pra eu me lembrar...é
Da tua cara de pouco caso
De...de...de... "Não é problema meu!"
(...)
E não finge que tá dormindo não!
Ou olhar pro lado e fingir que não me viu,
e que só viu aquela puta mina gostosa com o decote no umbigo
e um enorme ...
-HAAAra!
Gentileza não se cobra, né!
Me sinto num calabolso
Exausto, suado, espremido,
Com as mãos presa no alto em um ferro
E os poucos pertences que tenho parecem se multiplicar
...um puta peso!
Mas vou olhar bem pra vocês
Que é pra me lembrar!
E um dia vai ser minha vez...
Aí eu quero ver!
E eu não faço cara de coitado não, viu!
Seguro a minha onda como tem que ser
Fazer o quê?
Com você vai ser assim também!
Cê vai ver...cê vai ver...
Amanhã é outro dia
E sei que você vai estar aqui
nesse mesmo horário
Pra que eu possa me vingar!
É isso mesmo, me vingar!
Marquei sua cara!
Já era!
Se o lugar vagar e eu me sentar,
quero ver quem vai segurar a sua mochila.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Fazendo um bico



Desemprego pariu o bico
Trabalhador de biqueira
Pra ajudar cadê os bico?
Abre o bico e sai asneira.

Não tem trampo de bic
Sem estudo, é biqueira!
Na mão de obra o seu bico
Vende mais pedra do que areia.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Como um trem



A vida é como um trem
Pessoas vão, pessoas vem
Até um dia querer
Todos os dias o mesmo alguém
Não posso correr
Fora dos trilhos
Não posso parar
Pois perco o brilho
Sigo em frente
Não faço curva
Me renovo em em dores no cascalho
Minha alma fica pura
São várias estações
Norte, sul, leste oeste
Mas um só amor
Que na estação o poeta escreve
O celular agora toca
Como toca o coração
Na ânsia de lhe mostrar
Que nada foi em vão
A vida é como um trem
Pessoas vão, pessoas vem
Mas os trilhos são os mesmos
E me levam a você
Meu bem.



quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ciumeira


Ciúme até da irmã

Cio, mera vontade que passa

Ciúme não passa de manhã

"Ci" o Homem é cachorro sem raça.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Vários lugares em um

Clique na foto para ampliá-la.

É isso que senti ao tirar essa fotografia, do Jd. Boa Vista.
Poderia ser qualquer outra quebrada, afinal, morro, campo de futebol..., que quebrada não tem esse cenário?!

Salve Akins Kite, varzeano nato!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O corpo


O corpo
Mostruário ambulante
De marcas e hematomas de dias cortantes
A rocha também solta areia quando vem a onda
Gasto como a pólvora do estouro da bomba
Nada diferente comparado ao rosto nosso
Cansado e abatido, mas a palavra ainda posso
Ainda posso e mostro um brilho que reflete fosco
Em surrada pele boa alma se liberta aos poucos
Do retrato de mãos enrugadas e calejadas
A subir mais um tijolo da casa encantada
Enxugo o suor e a lágrima, olha pro céu e vê
O sol é quente, , mas é o corpo que me faz derreter
De dentro pra fora queima um fogo abstrato
Se alastrando em minha natureza de homem ingrato
A mente insana tem razão e não me deixa viver
Nem ver tanta importância ao que é importante ter
Tenho um lado do cérebro doente
Que é feliz e sorri com o corpo em brasa ardente
Marcas e tatuagens permanentes
Marcas do corpo da gente.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Enlaço


O nosso inconsciente
Abriga sonhos quentes
Ousados abraços
Cheiros, amaços
Inevitável enlaço
Meu sexo pulsa e a chama
Você me chama
Apenas com o seu o teu olhar
Me leva pra cama
Pro chão sem colchão
Na rua, na lua
E você nua
A me querer e me desejar
Com seu corpo, mente e alma
Me ama com calma
O mundo pegando fogo
E nós nos amando feito loucos
Se confessando um para o outro
Sorrisos e lágrimas
Extasiando um momento mágico
É hora de se amar, chorar e ver
O que realmente quero ter
Agora nada mais importa
Só o seu olhar místico
Escondendo dunas e tesouros
Noites de prazer
Quero ter
Como agora
Nossa hora
De crepúsculo
A aurora
Sua voz, suas pernas
Cabelo, boca e seios
A nuca...e aquela anca
O ritmo desenfreado
O corpo molhado
Pescoço marcado
De lado, no colo, vem...vem...
Me dá tudo
Eu quero tudo
Geme, grita e me dá teu silêncio
Trema e se encolha em mim
Não é pecado, é Amor
Absoluto, eterno
Sem fim

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Luz sem vela



Acende a vela
Para iluminar o caminho do Homem em direção ao céu
Não vê mais vultos, nem sente mais dor
Enxerga bem, ouve bem
Agora está bem!
Ouço a Dona dizer:
-Parece que ficou um buraco!
Penso na família como as sementes que brotaram
Com o tempo os ponteiros se acertaram
De hora em hora se encontravam
E a vela queimava
E o tempo passava
O silêncio dói mais que gritos de choro
Fechar os olhos dói mais que enxergar tudo
Calar dói mais que falar sobre
Deitar e dormir é mais difícil que suportar tudo de pé acordado
A vela apagou-se
A chama se vai e nos deixa só
Não queremos aceitar se foi o melhor
Busco uma fuga, me deito com a boca amargurada
-Como você é vivo com a luz apagada!
Sem vela, no escuro, a vida é capaz
Não mais fogo de vela
Agora é luz de Paz.

domingo, 5 de julho de 2009

Pipas


O sonho do muleque
É como a pipa que sobe
E lá no alto fala com Deus
Toca o céu
Em transe ora
Várias pipas
Vários sonhos
Há quem dispute o mesmo sonho
Ou o mesmo céu
E aquele que vê sua pipa cair
E longe sumir
A rabiola cortada
A linha arrastada
A cabeça baixa
Pensa que perdeu?
Não!
Vou eu
O moleque
Em busca do meu sonho
A colocar outra pipa no alto.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Se complicando-Se

Baseado no documentário "Ilha das Flores".


A ilha das flores existe!
Claro que existe!
Se tem alguém com muito
É porque tem muitos com pouco
Mais fácil é ser bicho
Sem comida de papel
Sem medo de não ir pro céu
Com a fartura da boa comida
E a fome resolvida
Onda já se viu?
Complicar o próprio trajeto?
Foram eles! Foram eles!
Sempre separando-nos e levando vantagem
É porquê nos calamos
Encurralados estamos
Necessidades passamos
E no ciclo vicioso nos limitamos
E não militamos
Enquanto isso a barriga ronca
Histericamente e com bronca
Das mãos que não plantam
Do pé que não brota
Do Homem que não colhe
Da boca que não come